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Livro: Quem é Maria para nós?

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Se creres verás a glória de Deus! (pt2)



“Muitos Judeus tinham vindo a Marta e a Maria, para lhes apresentar condolências pela morte de seu irmão” (João 11, 19.)

Lembra de quando falamos da necessidade de meditarmos à respeito das demoras de Deus em agir em nossos problemas?

Ora, se Jesus tivesse seguido imediatamente para Betânia, provavelmente ainda encontraria Lázaro vivo, ou no máximo, chegaria algumas horas depois do seu falecimento. Jesus curaria Lázaro? Claro que curaria! Se ele estivesse morto, Jesus o ressuscitaria? Claro que sim! Mas, chegando assim que o fato tivesse ocorrido, não haveria muitas pessoas presentes. Jesus viu na ocasião da morte de seu amado amigo uma grande oportunidade de anunciar a salvação e revelar o amor e o poder do Pai para o máximo de pessoas ao mesmo tempo.

Você já pensou nisso com relação a você? Já pensou que se Deus tem permitido lhe acontecer certas coisas, talvez, ele esteja esperando a grande oportunidade de beneficiar também a muitos outros além de você? Quantas pessoas fazem parte de seu círculo de relacionamento e que precisam ter uma experiência com Jesus? Já pensou que o Senhor pode estar usando do seu momento para que muitos vejam o seu agir e creiam? Até mesmo discípulos calejados na caminhada podem estar necessitando de uma nova experiência.

Você pode dizer: “Ah! Mas já faz muito tempo que estou passando por isso!”

E nesse muito tempo, muitas pessoas podem ter se santificado convivendo com você. Quantas pessoas têm intercedido, jejuado e comungado por você? Quantos dos que conhecem suas dificuldades têm dobrado seus joelhos e suplicado a intervenção de Jesus no seu caso? Quantos esquecem os seus próprios problemas para pedir pelo seu?

“Marta disse a Jesus: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido! Mas sei também, agora, que tudo que pedires a Deus, Deus to concederá. Disse-lhe Jesus: Teu irmão ressurgirá. Respondeu-lhe Marta: Sei que há de ressurgir na ressurreição no último dia.” João 11, 21-24.

É interessante lembrar que tanto Marta, quanto Maria e Lázaro conheciam muito bem a Jesus. A casa deles era onde Jesus se hospedava quando estava naquela região. Maria era aquela que deixava até mesmo seus afazeres só para sentar-se aos pés de Cristo e ouvi-lo. A presença de Jesus na casa daquela família libertou Maria da prostituição. O que Jesus pregava na rua para todos, pregava de uma forma bem íntima para aquela família.

Por essas e outras, é curioso que ao mesmo tempo em que Marta declara que sabe que o Pai atende a Jesus, logo em seguida, não passa nenhuma segurança de sua fé, ou pelo menos não entende quando Jesus diz que Lázaro ressurgirá. Aposto que Jesus, pelo relacionamento que tinha com aqueles três irmãos, também achou estranha a resposta conformista de Marta: “É Jesus, eu sei que ele vai ressuscitar no dia do juízo!”

Certamente esta resposta é baseada em alguma conversa que eles tiveram à respeito do fim do mundo. Marta, mesmo com uma personalidade diferente de sua irmã, conhecia perfeitamente a pregação de Cristo. Por tudo que já tinha visto e ouvido, ela sabia que ele era a ressurreição e a vida. Mas, diante do sofrimento pela perda do irmão, diante de tão grande abalo emocional, Marta acabou se esquecendo disso.

O mesmo acontece conosco. Acabamos nos fechando e permitindo que os nossos problemas sufoquem a Palavra de Deus em nosso coração. Acabamos nos esquecendo das promessas do Deus do impossível.

Não podemos permitir que um revés, independente do seu tamanho, seja capaz de nos fazer esquecer Deus e as coisas que ele nos disse. Sim, eu sei que na hora da dor clamamos mais a Deus, mas, como dissemos antes, é mais na base do DDD. Acabamos nos esquecendo do que Deus nos promete através de sua Palavra. Estamos desesperados a ponto de não termos capacidade de analisar. É o caso de Marta, é o meu e o seu caso.

“Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que crê em mim, jamais morrerá. Crês nisto? Respondeu ela: sim, Senhor. Eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, aquele que devia vir ao mundo.” João 11, 25-27.

Foi necessário que Jesus lembrasse Marta de quem ele era. Era necessário lembrar diante de quem Marta estava naquele momento. E o grande xeque-mate que Jesus impôs a ela foi decisivo. Ou ela acreditava, ou não acreditava.

Não pode haver meio termo, nós precisamos decidir, ou cremos, ou não. Nossa oração deixará de ser DDD se nos comportarmos conforme declaramos que temos fé, ou melhor, nossa fé é demonstrada quando colocada à prova.

Neste momento, caiu a ficha para Marta. Certamente ela se lembrou de tudo o que ouvira daqueles lábios santos. Com certeza, sua lembrança lhe trouxe uma reprise de todos os milagres e atitudes divinas de Jesus, as quais seus olhos já haviam contemplado até ali.

Quando as coisas estiverem difíceis, olhe para trás, lembre-se de quem você era e em quem Deus te transformou. Lembre-se de tudo o que ele já fez por você até aqui e se pergunte: “será que ele me deixaria na mão agora?”

Foi o que Marta fez, e foi isso que a levou a declarar: “Sim, Senhor. Eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, aquele que devia vir ao mundo”; e imediatamente ela foi levar a boa nova a sua irmã, Maria.

É incrível! Quando nos permitimos ser guiados pela Palavra de Deus, somos reanimados e nos dispomos a reanimar os outros.

Hoje, é o Espírito Santo quem nos recorda a Palavra de Deus. Muitas vezes ao ser lembrado de um versículo da Bíblia, minha visão sobre uma situação muda totalmente e percebo o quanto eu estava distorcendo a realidade até então.

“A essas palavras, ela foi chamar sua irmã Maria, dizendo-lhe baixinho: O Mestre está aí e te chama. Apenas ela ouviu, levantou-se imediatamente e foi ao encontro dele. (pois Jesus não tinha chegado à aldeia, mas estava ainda naquele lugar onde Marta o tinha encontrado.)” João 11, 28-30.

Maria! Aquela que era capaz de deixar tudo de lado só para ouvir o Mestre. Agora, estava desanimada e cabisbaixa. Também já havia esquecido tudo o que seu Mestre falou. Por isso Jesus ficou ali, parado no mesmo lugar.

Onde o luto e a lamentação imperam, Jesus na entra. Maria havia se entregado ao desânimo e esta atitude era como que uma barreira colocada entre ela e Jesus.

Da mesma forma, enquanto insistirmos em ficar desanimados e abatidos, enquanto nós não rompermos com a lamúria, Jesus não poderá fazer nada. Enquanto insistirmos nisso, Jesus continuará parado, no mesmo lugar.

Mas, se erguemos a cabeça e imediatamente vamos ao seu encontro, tudo mudará.

Marta apenas cochichou a Maria que Jesus estava presente e a chamava e ela já parecia outra pessoa. Imediatamente se levantou e correu ao seu encontro. Maria transpassou a barreira que até então impedia a ação de Jesus.

Precisamos convencer os nossos corações de que Jesus sempre está presente em todos os momentos de nossas vidas. De nada vai adiantar ficarmos rendidos aos nossos problemas. Isso só dificultará a ação de Deus. Jesus está neste momento ao seu lado apenas esperando que você o perceba ou pelo menos acredite em sua presença e tome a atitude de se lançar em sua direção. Acredite! Queira experimentar a doçura do Senhor!

A mesma atitude que Cristo teve para com Maria naquele dia, tem para conosco hoje. Ele está presente, ele nos chama. Depende de nossa atitude de seguir em sua direção ou continuarmos sentados esperando que ele se aproxime mais. Isso não irá acontecer exatamente porque o obstáculo foi colocado por nós e não por ele. É a mesma coisa de chegar uma visita em sua casa e você querer que ela entre mais não destranca e abre a porta. Como ela vai entrar se o dono da casa não permite? É uma questão de bom senso!

Lembro-me de um desenho animado em que um dos personagens era uma hiena que contraditoriamente era viciada em lamentar. Digo que é contraditório porque nos desenhos animados as hienas são conhecidas por serem risonhas. Já esta, era o oposto. Bastava alguma coisa dar errado e ela vinha com seu famoso jargão: “Ó dia! Ó vida! Coitadinha de mim! Nada dá certo!” Enquanto tivermos a atitude desta hiena chorona, Jesus nada poderá fazer.

Mas, ao rejeitarmos a lamentação, se rompemos com o desanimo e corremos ao seu encontro, é impossível a situação continuar a mesma. Estando perto de Jesus, recebemos dele o ensinamento correto para agirmos e resolvermos os problemas.

“Os judeus que estavam com ela em casa, em visita de pêsames, ao verem Maria levantar-se depressa e sair, seguiram-na, crendo que ela ia ao sepulcro para ali chorar.” João 11, 31.

Chego a achar engraçada a cena de Maria correndo até Jesus, e os judeus, pensando que ela iria para o túmulo chorar, foram correndo atrás dela. Ao mesmo tempo, isso mostra um fator muito sério a respeito do nosso testemunho.

As pessoas vivem procurando modelos para serem imitados. Estão sempre à procura de um exemplo a ser seguido.

Para onde você tem corrido nos momentos de dor? Entenda que muitos que lhe têm como exemplo, observarão e irão atrás de você neste momento.

Aquelas pessoas esperavam que Maria fosse até o túmulo de Lázaro para chorar e, realmente, a única coisa que ela poderia fazer lá era isso, chorar. Nunca vi ninguém ficar feliz diante de um túmulo. Túmulo representa morte, perdas, frustrações, lembranças dolorosas, e a única coisa que podemos fazer lá é chorar.

Muitas vezes nossas dores perduram exatamente pelo fato de que mesmo depois de anos do acontecido, continuamos a visitar os nossos túmulos de estimação. Até hoje, continuamos revivendo o momento de dor. Até hoje, continuamos alimentando a mágoa e a frustração. Até hoje, estamos lamentando a morte de pessoas queridas e isso não as trará de volta. Estas pessoas estão com Deus e em condições melhores que as nossas. Como diria padre Marcelo Rossi: “Saudade sim, tristeza não!”. Pare de chorar diante de seus túmulos!

“Quando, porém, Maria chegou onde Jesus estava e o viu, lançou-se aos seus pés e disse-lhe: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido!” João 11, 32.

Como foi dito acima, túmulo representa morte, e morte traz dor e choro. Se quiseres chorar, faça como Maria, chore aos pés do teu Senhor. Pois, se o túmulo é a representação da morte e do fim de todos os seus sonhos, Jesus é o Deus da vida! Jesus é a própria vida.

“Ao vê-la chorar assim, como também todos os judeus que a acompanhavam, Jesus ficou intensamente comovido em espírito. E, sob o impulso de profunda emoção, perguntou: Onde o pusestes? Responderam-lhe: Senhor, vinde ver.” João 11, 33-34.

É simplesmente fantástico saber que o Senhor não ignora as nossas dores. É surpreendente constatar que Deus se compadece de cada lágrima que derramamos, e muito mais, Jesus é capaz de sentir nossas dores com a mesma intensidade que nós sentimos.

Isto é esplêndido! Enquanto os deuses inventados exigem sacrifícios e formas de culto extravagantes ou macabras, o nosso Deus, o Deus Vivo e Verdadeiro é extremamente humano e se identifica com seus filhos.

Jesus perguntou aos que estavam ali onde é que haviam depositado o corpo de Lázaro. Hoje, ele está perto de você, perguntando: “Filho, onde está a sua dor? Onde é que está doendo? Qual o grau de importância que esta dor esta ocupando em sua vida? Eu quero curá-la hoje!”

Esta é a única hora em que você pode ir até os seus túmulos. Na companhia de Jesus, podemos ir a qualquer lugar. Jesus irá com você até o túmulo e lhe mostrará que nele, Jesus, o túmulo pode se transformar em gerador de vida, em ressurreição!

“Jesus ordenou: Tirai a pedra. Disse-lhe Marta, irmã do morto: Senhor, já cheira mal, pois há quatro dias que ele está aí... Respondeu-lhe Jesus: Não te disse eu: Se creres, verás a glória de Deus? Tiraram, pois, a pedra.” João 11, 39-40.

Tire a pedra que fecha a entrada do túmulo do seu coração! É preciso abrir o coração para que o Senhor possa restaurar a vida. Mesmo que ao abri-lo haja o desconforto da podridão. Esta podridão que digo, não é a maldade ou o pecado, neste caso, a podridão é por causa dos sentimentos e traumas novos e velhos que fomos armazenando com o passar do tempo e eu ao mexer, pode doer.

Não faça como Marta, não arranje justificativas para não retirar a pedra. Apenas faça o que o Senhor ordena, tire a pedra.

Confie nele. A sua promessa é de que se você crer verá a glória de Deus em sua vida. O que seria ver a glória de Deus para você hoje? Será que Deus não é capaz de lhe dar a ver esta glória? Vejamos:

Este mesmo Deus criou o mundo e tudo o que há apenas ao pronunciar em palavras o seu querer. Este mesmo Deus quis nos criar segundo sua imagem e semelhança e com suas próprias mãos. Deus, este, que deu um filho a um casal de velhos, no caso, Abraão e Sara. O Deus que abriu o mar, que concedeu vitórias históricas a Israel. Que prometeu e cumpriu. Um Deus que gerou Jesus no ventre de Maria Santíssima por obra do Espírito Santo. Que curou cegos, coxos, surdos e mudos. Que ressuscitou Jesus e o elevou ao trono de sua destra. Que conduziu sua Igreja até aqui. Que pode se transubstanciar em um simples pedaço de pão.

Eu te pergunto: será que o milagre que você espera é maior do que qualquer um dos que citei? Creio que não.

Não estou querendo iludir ninguém. Apenas quero deixar claro que eu creio que seja qual for o problema, nosso Deus pode solucioná-lo. Eu tenho a esperança de contemplar a gloria de Deus dia após dia em minha vida. Tenho muitos sonhos em meu coração e eu creio que Deus pode realizá-los. Se são todos de acordo com a vontade dele, ainda não sei. Mas, o que sei é que se ele quiser, pode realizar. Por isso peço e apresento todos a ele.

“Depois destas palavras, exclamou em alta voz: Lázaro, vem para fora! E o morto saiu, tendo os pés e as mãos ligados com faixas, e o rosto coberto por um sudário. Ordenou então Jesus: Desligai-o e deixai-o ir.” João 11, 43-44.

Quando decidimos obedecer ao Senhor e remover a pedra que fecha o nosso coração, podemos ouvir nitidamente sua voz nos chamando de volta a vida. Quantas pedras temos colocado como barreiras entre nós e Jesus? Quantas mágoas, pecados, ressentimentos, dores e decepções tem nos engessado? Quando valorizamos demais as coisas negativas que nos acontecem, estas mesmas coisas nos tornam cegos, surdos e mudos, nos impedindo de ouvir a voz do Senhor a nos chamar.

Deus tem vida plena para você, uma vida cheia de sentido. Queira ouvir sua voz a lhe chamar: “Vem para a vida meu filho! Saia dessa escuridão! Vem para vida, pois aqui existem irmãos te esperando para lhe ajudar a se desligar das dores que ainda de prendem.”

Mesmo que neste momento você ainda sinta-se preso ou com o rosto coberto pelo sudário da vergonha, tenha a coragem de ir em direção ao Senhor e, se creres, verá a glória de Deus!


 Lucio Marciano
 lucio_marciano@yahoo.com.br

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